Uma e vinte da madrugada, num dia que diziam ser o último de todos.
Quem disse que o mundo acabou? Não, não acabou. Se acabasse, seria o repouso dos guerreiros, o fim dos dilemas. Mas a vida continua, com suas guerras e festas, com seus socos e sexos. Portanto, se há alguém aí caidinho por algo que não deu certo, algo que se perdeu ou por algum conflito interno imobilizante, sugiro que reúna as forças que ainda restam (sempre restam algumas) e continue o caminho. Se não der para escolher o caminho, neste momento, tudo bem. Importa é caminhar. Sempre se chega a algum lugar. E sempre se aprende no trajeto. E isso, com certeza, independe de até onde possa chegar o calendário Maia. Mas, apesar do título, não é desse fim de mundo propriamente dito que estamos falando, certo?
Muito da infelicidade reside no fato de voltarmos nossos olhos para aquilo que não conseguimos alcançar, tocar. Olhamos para pontos longínquos e nos esquecemos do que foi conquistado até aqui, do que temos ao nosso redor. E então reclamamos e nos frustramos porque sempre falta algo em nossas vidas. E sempre há de faltar - bendita incompletude que nos movimenta.
A questão é: onde colocar a felicidade (ou a infelicidade)? Fora ou dentro de nós? Colocá-la em terceiros, em fatores externos, é um grande desperdício, que raramente dá certo. Melhor tentarmos encontrá-la dentro de nós e gerarmos, a partir desse encontro, um movimento centrífugo, que emana luz e intensidade, o que irá fazer com que nunca passemos despercebidos.
E caso não seja possível encontrar essa tal felicidade, ligue não, porque, no fundo, no fundo, essa ideia de felicidade suprema é um tanto ficcional. Felicidade é uma hipérbole. Mas podemos chegar a um estado bem similar, parecido com ela, que se dá quando atingimos a paz interior com eventuais e simples alegrias de viver. Tão simples que muitas vezes só se fazem notar quando as perdemos.
Tento, e como tento!, seguir esse bendito mantra. Mas no meu caso, sou guiado pelo falso lema de que a felicidade só pertence à uma pessoa e, em contrapartida, a desgraça parece ser de todos. É estranho, e no fundo agradeço todo esse rebuliço referente ao enunciado fim do mundo - isso servira como um inebriante à mais para as minhas inspirações, levando em conta o fato que não sei falar da felicidade, o que não significa que jamais a tenha tido. Pensava justamente nisso, dia desses: em como eu era feliz e não sabia. O que me resta, agora, e agradeço à quem quer que me presenteara com isso, é uma esperança agradável, que me dá cócegas e me faz sorrir à noite, ainda que eu chore às vezes e me mova como um autômato durante o dia. A esperança, sim, é indestrutível, é o prólogo da felicidade. O que aqui não se aplica: alguns tolos tiveram esperanças de que o mundo não acabaria depois do dia Vinte e Um, mas não se sentiram felizes em absoluto quando confirmaram que ainda permanecem ilesos - na melhor das hipóteses: indiferentes. Coloquem meu nome nessa tabela.
Mas vamos vivendo. Ainda sou dos que acham que a vida e os seres vivos são duas coisas completamente diferentes, e que a esperança pertença a vida, sendo a própria vida se defendendo. Que digam as vítimas dos campos de concentração e os torturados! Vamos vivendo, e olhando pra trás, se possível - isso não é pecado, como nos fazem crer muitos romancistas. É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer, como bem disse Nando Reis. Tenha esperanças, seja feliz, ainda que tal conselho parta de alguém cujos sentimentos não correspondam exatamente à esses aqui expostos. O mundo não acabou, e repito, não digo isso pelo temido calendário Maia - o Cortez já os fuderam há muito, e você ainda está preocupado?
Vamos, então! Vamos vivendo. Há tanto por fazer, há tanto por descobrir. Há sempre uma surpresa à nossa espera na próxima esquina. Lá onde o olhar ainda não alcança. Há muita coisa além do fim do mundo. O dia 22 está aí, ao alcance das mãos. Aproveite-o.
Muito da infelicidade reside no fato de voltarmos nossos olhos para aquilo que não conseguimos alcançar, tocar. Olhamos para pontos longínquos e nos esquecemos do que foi conquistado até aqui, do que temos ao nosso redor. E então reclamamos e nos frustramos porque sempre falta algo em nossas vidas. E sempre há de faltar - bendita incompletude que nos movimenta.
A questão é: onde colocar a felicidade (ou a infelicidade)? Fora ou dentro de nós? Colocá-la em terceiros, em fatores externos, é um grande desperdício, que raramente dá certo. Melhor tentarmos encontrá-la dentro de nós e gerarmos, a partir desse encontro, um movimento centrífugo, que emana luz e intensidade, o que irá fazer com que nunca passemos despercebidos.
E caso não seja possível encontrar essa tal felicidade, ligue não, porque, no fundo, no fundo, essa ideia de felicidade suprema é um tanto ficcional. Felicidade é uma hipérbole. Mas podemos chegar a um estado bem similar, parecido com ela, que se dá quando atingimos a paz interior com eventuais e simples alegrias de viver. Tão simples que muitas vezes só se fazem notar quando as perdemos.
Tento, e como tento!, seguir esse bendito mantra. Mas no meu caso, sou guiado pelo falso lema de que a felicidade só pertence à uma pessoa e, em contrapartida, a desgraça parece ser de todos. É estranho, e no fundo agradeço todo esse rebuliço referente ao enunciado fim do mundo - isso servira como um inebriante à mais para as minhas inspirações, levando em conta o fato que não sei falar da felicidade, o que não significa que jamais a tenha tido. Pensava justamente nisso, dia desses: em como eu era feliz e não sabia. O que me resta, agora, e agradeço à quem quer que me presenteara com isso, é uma esperança agradável, que me dá cócegas e me faz sorrir à noite, ainda que eu chore às vezes e me mova como um autômato durante o dia. A esperança, sim, é indestrutível, é o prólogo da felicidade. O que aqui não se aplica: alguns tolos tiveram esperanças de que o mundo não acabaria depois do dia Vinte e Um, mas não se sentiram felizes em absoluto quando confirmaram que ainda permanecem ilesos - na melhor das hipóteses: indiferentes. Coloquem meu nome nessa tabela.
Mas vamos vivendo. Ainda sou dos que acham que a vida e os seres vivos são duas coisas completamente diferentes, e que a esperança pertença a vida, sendo a própria vida se defendendo. Que digam as vítimas dos campos de concentração e os torturados! Vamos vivendo, e olhando pra trás, se possível - isso não é pecado, como nos fazem crer muitos romancistas. É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer, como bem disse Nando Reis. Tenha esperanças, seja feliz, ainda que tal conselho parta de alguém cujos sentimentos não correspondam exatamente à esses aqui expostos. O mundo não acabou, e repito, não digo isso pelo temido calendário Maia - o Cortez já os fuderam há muito, e você ainda está preocupado?
Vamos, então! Vamos vivendo. Há tanto por fazer, há tanto por descobrir. Há sempre uma surpresa à nossa espera na próxima esquina. Lá onde o olhar ainda não alcança. Há muita coisa além do fim do mundo. O dia 22 está aí, ao alcance das mãos. Aproveite-o.
* * *
E, ademais:
O fim do mundo foi cancelado em 2012 no Brasil, pelo simples e irremediável motivo do país não ter estrutura o suficiente pra receber esse grande evento, de porte tão cataclísmico.
Ahh, o sub-desenvolvimento.
Ahh, o sub-desenvolvimento.

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