terça-feira, 27 de novembro de 2012

Os Dilacerados (Parte 1 e 2)









     Uma e vinte-sete de uma nova Quarta.



    
    I.


    Deus do céu, pensou ele; se alguém chegasse a descobrir, ele matar-se-ia. Queria matar-se agora mesmo, neste instante. Havia três horas que acontecera, e o seu amigo, seu melhor amigo, tinha-se enganado, achando que ele logo se sentiria melhor, porque nada havia adiantado. A passagem do tempo não havia adiantado. A cocaína não havia adiantado. Ficar junto com os outros não havia adiantado. Nada. Exceto, talvez, que agora estava menos nervoso e trêmulo da cabeça aos pés. Agora sentia um entorpecimento completo, com aquela sensação de náusea nas tripas e nos testículos que dava até vontade de chorar, e queria o esquecimento absoluto, a inconsciência, adeus e nenhuma recordação. Desviou os olhos da rua em frente para as suas mãos brancas, pregadas que nem ganchos brancos ao volante do seu poderoso Tucson Preto. Ouviu a voz do seu amigo no assento ao lado.

   - Ei, tem certeza de que você está bem?
   - Acho que estou - respondeu o rapaz - Acho que agora estou.
   - Pois não parece. Está com cara de enterro.
   - Estou bem - insistiu o rapaz. Virou o carro para a esquina que desembocava no quarteirão em frente, onde o seu amigo dividia um apartamento de luxo com dois outros individuos.
  - Não há motivo para se preocupar- disse o amigo, coçando por baixo da barba juvenil - Não pense mais naquilo. Faça como se nunca tivesse acontecido. Se nunca aconteceu, então não aconteceu. Pense noutra coisa, como se estivesse a praticar ioga ou coisa parecida. Sabe como é?
   - Estou bem - repetiu o rapaz.
   - Ei, calma, velho, você já passou da minha casa! 

    O rapaz pisou fundo no freio e a brusquidão da súbita parada fez-lhe bater o peito no volante. Mas não doeu. "Desculpe", disse, enquanto o seu amigo recuava do painel de instrumentos. Esperou que o amigo saísse do carro, mas o amigo continuou no mesmo lugar. Notou que olhava fixamente para ele. O seu amigo alisava o desleixado cavanhaque e a barba, sem tirar os olhos dele.

   - Velho, só mais uma coisa... - dizia o amigo. O rapaz esperou para ouvir que coisa era - É como eu passei a noite toda tentando te dizer. Não precisa ter medo, você está livre. Ninguém sabe que você esteve lá.
   - Ela sabe 
   - Ela não sabe o seu nome.
   - Esqueci disso.
   - Portanto, você está livre - repetiu o amigo - Mas há uma coisa. Se houver buchichos...
   - Você disse que não ia haver.
   - E não vai mesmo, basta você não deixar - frisou o amigo - É como eu sempre lhe digo, você é o pior inimigo de você mesmo. Essa coisa de morar com a família, por exemplo.
   - Cara, você sabe...
   - Claro, eu sei de tudo sobre o seu velho e você. É a única coisa que me preocupa. Você vai chegar lá com essa cara de doido fudido, e ele vai fazer que você se cague de medo até descobrir o que é que você andou fazendo. E aquele pedaço de mulher que você chama de prima... a sua priminha ruiva...
   - Num fode, cara.
   - Eu preciso dizer-lhe o que estou pensando. Você meteu-se numa enrascada, mas se confiar em alguém, é melhor ir já cavando a sepultura.
   - Já lhe disse que isto vai ficar só entre nós dois.
   - Então não se esqueça - advertiu o amigo - Porque se contar pra alguém, e a casa cair, lembre-se de uma coisa... você esteve lá sozinho. Eu não estava contigo. Só você esteve lá. Porque, se algum dia você disser que eu estive lá, vou considerar isso como um ato de traição, e terei de dizer à quem quer que seja que foi você quem a feriu. De propósito ou não, foi você. Portanto esse é o nosso segredo. Eu não estive lá. Assim nunca posso dizer que você esteve. Compreendeu?
    - Okay, cara.
    O amigo abriu a porta, depois hesitou e mostrou-se amigo de novo:
    - Mas como lhe disse, não há nada para se preocupar. Não aconteceu nada.
    - Okay.
    - Fique só com a boa recordação, como eu. Você tem de reconhecer que foi uma grande foda.
    - É.
    - E agradeça-me por tê-la aberto para você. Ela tava mais apertada que uma concha quando eu meti. Mas depois que entrou, foi o mesmo que escorregar num trenó cheio de graxa, e com ela a se esganiçar, a morder e a bater o tempo todo, quase gozei no mesmo instante. Foi do caralho.
    - É, foi do caralho - concordou o rapaz. - Só que...
    - Esqueça o resto - atalhou o amigo -Você sabe qual é a minha filosofia. Fique com as boas recordações e deite o lixo pra fora. Lembre-se disso, velho.
   - Okay.
   - Vá direito para casa!
   - Vou.
   - Então até amanhã. A gente se fala na saída da facul. Falou. 

   O amigo saiu do carro, entrou na portaria do condomínio de alto padrão e desapareceu depois do portão interior. O rapaz tirou o pé entorpecido do freio e pisou o acelerador. Conduziu a Tucson em direção à Paulista para tomar a Augusta e rumar para casa, nos Jardins. Era o caminho mais curto, e ele queria chegar o mais depressa possível, porque estava sozinho e não suportava a solidão durante muito tempo. Especialmente hoje à noite, do jeito que se sentia, pior do que nunca e ainda por cima com tendências suicidas. Mas ao alcançar a Augusta, esperando que o sinal abrisse, e virando o carro à esquerda, percebeu outra coisa.

    Não estava sozinho...




   Dezesseis minutos para uma nova quinta

 


  II.


    ... levava a garota com ele, aquela garota que se esganiçava toda, aquela peitudinha de dezessete anos. Só que agora não se esganiçava, não. Estava imóvel, feita um cadáver, sem emitir um som, o menor movimento.

    O rapaz considerava-se um sujeito de memória visual, porque tudo o que imaginava ou lembrava ocorria de forma puramente visual, em quadros gráficos, não numa série de diálogos palavrosos, como acontece com outras pessoas. Bem que gostaria de estar sozinho agora, mas não estava. Bem que gostaria de não possuir memória visual, mas possuía. Lá estava aquele único quadro, continuando a projetar-se na tela do seu cérebro. O único quadro que a memória registrara antes de ir embora, antes que o seu amigo de lá o arrastasse. A garota deitada de costas, completamente nua, sobre o tapete ao lado da cama. Estendida de pernas abertas, livres, as coxas carnudas e brancas afastadas e imóveis, de modo que o que mais se notava era aquela saliência cortada ao meio, à mostra entre os pêlos púbicos, que parecia o talho dos lábios franzidos de uma mulher. E com a mão encostada à mesa-de-cabeceira e a outra pousada no umbigo, os pequenos seios leitosos e pontudos, a boca caída, os olhos fechados, o sangue vermelho a escorrer da nuca e do cabelo emaranhado, que era de um castanho velado. O quadro era este. Tentou arrancá-lo da lembrança, e durante algum tempo conseguiu-o, mas logo outros se insinuavam, por ele ser tão visual. Podia ver os dois, seu amigo e ele, com as suas Cocas, no Locomotiva Clandestina, o ponto onde costumavam dançar na Nove de Julho, e o seu amigo ouvindo a garota dizer para alguém que gostaria de encontrar uma carona para voltar para casa, e o seu amigo a puxar conversa e a dizer que o seu camarada tinha carro e onde é que ela morava?, porque se não fosse longe demais seria um prazer levá-la. Chamava-se (...) e morava num apartamento com outra moça, (...); era logo acima da Consolação, perto do cemitério do Araçá, de modo que não ficava longe.

    Outro quadro. O carro estacionado diante do prédio, ela no banco de trás, com o seu amigo, que não parava de apalpá-la, e a coxa dela a aparecer onde o micro-vestido de algodão repuxara, e o rapaz só a pensar em rasgar-lhe a roupa toda e copular a noite inteira, imaginando como seria, tudo visual, quando de repente o seu amigo desce do carro e ela também, e ele faz-lhe sinal, dizendo que vão provar que são cavalheiros, acompanhando-a até à porta do apartamento.

    Outro quadro, lá em cima, dentro de casa. Ela levanta-se para ir ao toalete, que fica ao lado do dormitório. Seu amigo a piscar-lhe o olho e a bater no pênis, dizendo que não há dúvida que ela quer, mesmo que não saiba, que tava na cara de putinha dela, assim talvez seja melhor esperar por ela já no quarto, e depois que ele acabar, então passa para o rapaz.

    Outro quadro, a porta do quarto a fechar-se nas costas do seu amigo. E ele a beber uma daquelas Bud's que ela trouxe da cozinha. Dali a pouco a porta entreabre-se, e seu amigo ali parado, sem um fiapo de roupa no corpo, grandalhão e cabeludo, com aquela coisa enorme, grande mesmo, caída no meio das pernas, e o amigo sorrindo e dizendo, “ Farei uma pequena surpresa pra ela, você vai ver". No mesmo instante, a voz dela, e o amigo a entrar depressa no quarto, a voz dela protestando, dizendo qualquer coisa a respeito de sua amiga, a companheira de apartamento, e o universal e inconfundível barulho de luta. E depois ele próprio a pôr-se em pé e fechando bem a porta para não ouvir mais nada.

    Outro quadro, confuso. Só que lá está ela, agora na cama, e ele próprio nu, e a umidade no meio das coxas dela e a mão dele a tapar-lhe brutalmente a boca. E depois, das lidas terminadas (lidas rudes, desprazerosa e egoísta) o quadro em que ele se levanta, pegando nas cuecas e nas calças, e ela corre atrás dele, à golpear-lhe com inusitada rudeza, e ele larga as roupas e tenta espancá-la, e ela a recuar num salto, o tapete a escorregar sob os seus pés, e ela caindo, esborrachando a cabeça contra a quina pontiaguda da mesa-de-cabeceira, encolhendo-se, resvalando no chão, procurando erguer-se de novo e rolando de costas. E depois a montagem de vários quadros, desta vez com diálogo. Seu amigo, ainda nu em pelo, entrando correndo no quarto, dizendo o que diabo você fez?, e ele gaguejando, balbuciante, que foi um acidente. Seu amigo dizendo para ele se vestir depressa. Seu amigo debruçando-se sobre ela e proferindo um caralho!, ela desmaiou mas graças a Deus está viva e respirando. Ele vestindo-se e querendo chamar um médico. O amigo arrancando-lhe bruscamente o telefone das mãos e perguntando se ele tá doido, porra!, seria cana certa para os dois, afinal revezaram na agradável brincadeira, simultaneamente violentaram uma menor, e isso ainda era malvisto no país. Ele insistindo num telefonema anônimo para um médico e o seu amigo teimando que não, obrigando-o a terminar de se vestir, dizendo-lhe que a outra moça vai voltar a qualquer instante e chamará o médico e que a garota está bem, talvez não poderia ser nada mais que um coma á-toa e vamos dar o fora dessa porra enquanto é tempo.

    O primeiro quadro de novo. Contemplando mais uma vez o corpo nu, as pernas rijas e abertas, a rigidez da adolescência feminina. O resto dos quadros sumindo-se aos poucos, cada vez menos nítidos. Quase só fragmentos de diálogo, com pedaços e trechos visuais. Já no carro, o amigo dirigindo e dizendo que "você não está em condições de ir para casa ainda, vamos lá na Garagem", que de fato era uma garagem que o amigo e a turma alugaram e decoraram como uma espécie de clube para os caras se reunirem e cheirarem uma farinha, e ele respondendo que tudo o que o seu amigo quiser fazer ele aceita. Estacionado o carro, eles caminhavam para a Garagem e o seu amigo dizendo que decerto não ia acontecer nada de maior importância, porque se a garota estava arrombada, sem piores consequências, não daria um pio, senão teria de explicar como aceitara que dois caras fossem pra casa dela, pois afinal de contas não havia indícios de que alguém tivesse invadido o apartamento para violentá-la, e se o ferimento era sério ou coisa pior ainda, como ele tinha que admitir que parecera sério à primeira vista, então ela não estaria em condições de falar e portanto ponto final. Na garagem havia três sujeitos e duas garotas, gente da casa, e coca à farta, e apesar do incenso, o cheiro da erva estava forte demais, mas ninguém fazia caso e até o rapaz deu conta de duas carreiras e puxou uma cannabis, tragando fundo, retendo o fumo e acalmara-se um pouco, só um pouco, mas não o bastante. Depois, ele e o amigo foram dar outra longa caminhada, até que pudesse assumir a direção sozinho, e fez questão de mostrar que já se achava melhor e então levou seu amigo de carro até ao apartamento dele.

    Um último quadro, de novo, de novo, o primeiro. A menina deitada de costas no chão, completamente nua sobre o tapete ao lado da cama, com a saliência vaginal úmida e o cabelo ondulado manchado de sangue. Precisava controlar-se, senão estaria a procurar sarna para se coçar. Olhou o relógio no painel de instrumentos. Quase meia-noite. A mãe e o pai já deviam estar dormindo. Sua prima provavelmente, também. Estava salvo. Girou o volante ao chegar ao posto de gasolina da esquina e saiu da Avenida ainda movimentada, acelerando o carro, ladeira acima, até chegar ao portão de entrada de sua enorme casa. Deslizando entre as sebes, cruzou o portão que era aberto à sua passagem, apagou os faróis e rumou lentamente para a ampla área de estacionamento de chão acimentado em frente ao abrigo de automóveis. O Range Rover do pai já estava no lugar de costume. Encostou o seu carro ao lado. Só quando se afastou do abrigo, dirigindo-se à entrada da casa, foi que percebeu que havia luz por trás das cortinas do hall. A mãe, que era inválida, poderia estar dormindo, mas, no mínimo, o pai recebia alguns amigos. O mais provável é que fosse sua prima, que tivesse ficado acordada, a estudar. Precisava estar preparado para tudo. Teria de mostrar-se calmo e natural. Os quadros se haviam sumido da sua lembrança e sentiu-se mais seguro, mais garantido. Alcançando a porta de entrada, guardou as chaves do carro no bolso frontal do jeans e remexeu nos bolsos traseiros à procura do chaveiro de prata com a placa que tinha o seu nome gravado, presente de sua prima no último aniversário - o vigésimo primeiro. Tinha as chaves do carro e da casa em chaveiros separados, pois dividia o Tucson com sua prima e ela esquecia sempre das suas n'algum lugar e pedia emprestado as dele. Parado na porta, o rapaz esmiuçou o fundo do bolso à procura do chaveiro de prata com o seu nome. Não estava ali. Experimentou o outro bolso. Tão-pouco. Preocupado, retornou ao carro e revistou o seu interior. Nada do chaveiro.

    Um ultimo quadro, de novo, de novo, o primeiro. A menina deitada, pernas abertas, saliência vaginal, sangue coagulado na testa, que deslizava de maneira crua pela face direita... Ele apalermado testemunhando a cena, os ouvidos reboados pelas ordens de seu amigo, apanhando atabalhoadamente suas roupas. O claro tilintar de algo que caíra do bolso de suas calças para perto da menina lânguida e desfalecida, e que por obra e graça de seu desespero ele não dera maior importância.

    Um calafrio de apreensão gelou-lhe o peito, e então sentiu pânico.

sábado, 24 de novembro de 2012

As 3 faces da desatitude






Sábado, uma e pouca da tarde.


1-
Pior do que não encontrar as palavras é ter de medi-las.
Pior do que ter de medi-las é arriscar errá-las.
Pior do que errá-las é ter de engoli-las, e ficar com esse bolo na boca do estômago comprimindo o tanto que se desejou dizer.

Ajuda-me a libertá-las e eu pronunciarei teu nome como quem canta uma canção.



2-
Faço tudo que não quero. E o que quero fazer não faço... Me adio... E adio.

3-
É certo preferir o adiamento à atitude? Normal supor ser preferível uma inércia à decisão crua e seca? Até aqui reside a relatividade: se a indecisão é uma espécie de decisão decidida para adiar a decisão errada, essa desatitude, em contrapartida, pode ser o único e último segundo do suicida antes do vertiginoso salto, em que a sua vida poderia ser refeita e reestudada, reavaliada e resumida, e há nessa derradeira inspiração a coragem humilhada em que se decide o adiamento do passo fatal ou a fatalidade do passo não-adiado. Prefiro pensar desse jeito, adotar esse teorema: assim não me sinto tão culpado em não fazer o que poderia ter feito, quando era tempo.

A indecisão salva um suicida.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Deixo-me estar (os R$10,00 perdidos)





Sexta-feira, manhã



Emmanuel Nery, Prostituta, acrílico s/ tela 55 X 46cm, 1986



Á Henrique Rosa Nunes


    
    O sal das minhas lágrimas me faz relembrar tudo o que já perdi e o que até agora certamente perderei... Mas assim deixo-me estar; tua luz suja não mais alumia minhas mal deglutidas noites, tuas palavras não mais desperta em mim a necessidade de ter comigo aquela vida pacata que sempre/jamais desejamos um ao outro. Mas assim deixo-me estar.
   
    Uma luz quase carmesim atravessa, à muito custo, minhas pálpebras fechadas, mas o sonho que agora sonho acordado exibe-se tal como eu gostaria de vivê-lo - sem uma mínima réstia de luz, sem sequer um miserável restolho de minguadas esperanças, sem a alegria que preenche a vida dos tolos provincianos e daqueles tipos de pessoas que sentem, ridiculamente, prazer em morrer em nome do que chamam de "grande amor". Ainda na consoladora vigília, ainda nesse quarto de hotel, de paredes verde-oliva carcomidas pelo anacronismo dos dias, sobre esse lençol deliberadamente amarrotado e tendo ao alcance das mãos essa cerveja deliberadamente morna, eu estava feliz, seguro e excitado pela fresca e aconselhadora aragem que invadia o quarto através das ausentes persianas. Assim deixo-me estar, nessa minha espécie de confusão portátil, nessa quente solidão, nesse incômodo ininterrupto proveniente da prisão de ventre, dessa dor na alma por esses pensamentos de morte, pelo desejo que em mim arde por sua morte nem tão longínqua e muito almejada, com as dores que só a pura alegria pode proporcionar, veja bem. Bem plausível que agora, nesse momento em que vegeto nesse sexto andar, num aposento onde o odor de naftalina, mofo, urina e sexo se misturam e coalizam-se com a mesma fidelidade das genitálias feminina e masculina, possa estar você inteiramente entregue ás revoluções de uma ruflada língua d'algum homem, infeliz (sem porém o saber) por ser alvo de seus amores e suas lascívias, e satisfeito pela quentura de teu sexo no imperfeito encaixe do breve e inevitável coito, selvagem e inassimilável - dentes e lábios e excitações e suspiros. Mas que inopinável e desgraçada moléstia me fez admitir que ainda a amo, mesmo estando agora entregue aos desejos de outro, outro sempre cordato e apto á pagar-lhe o tempo de serviço, os amores de mentira, como de mentira são os rogos dos catequistas, as estopas das marionetes, as promessas das mulheres? Ainda a amo, e ainda quero-a morta. O suor transborda a minha testa glabra, e profetizo, serenamente, a breve promessa duma ereção, só por ti pensar, minha súcubo, só por tê-la imaginado sobre um homem, sobre o miserável ofício das damas de calçadas, sob sete palmos de terra. Mas assim deixo-me estar.

    Por ti fui usado e descartado como tão bem você utiliza do prazer efêmero de um orgasmo e o descarta até a inevitável próxima vez. Levanto-me, apanho a cerveja já quente e saboreio-a de um só trago. Acendo o último Marlboro de um maço consumido em menos de duas horas, e com o cigarro dependurado despreocupadamene entre os lábios ressequidos, visto-me de maneira calculada, resignada, pensativa - nada como o sabor da calmaria antes da tempestade, nada como a reflexão última do suicida antes do salto final, nada como o carinho e o beijo do assassino antes da esganadura imposta á sua vítima. Será que conseguiria alcançar-te, levando em conta o fato concreto de que abandonara-me já há algumas horas, alegando não poder ficar a noite inteira, proferindo o lema chulo das prostitutas de que tempo é dinheiro, de que o prazer dos outros seria o prazer do teu dono, cafetão, michè, cão-alfa, o diabo? Sei onde moras, sei onde atuas, sei onde vende teu corpo de puta, sei onde exerce a sua sagrada e volupiosa lavra, sei muito bem, minha amada morta, onde permite-se abrir como uma flor da madrugada teu sexo, tua boca oculta, para dezenas de homens dispostos á pagar-lhe as dez pratas exigidas, sempre antes das lidas. Sei onde te encontrar. Abandonara-me, e na doce morte você fenecerá.

    Enclausuro meu gélido instrumento nas quentes sombras do interior das minhas calças, na frente, próximo à ferramenta cáustica por ti já utilizada e tratada como um pedaço de entulho. Verifico e me satisfaço com o fato de que o revólver permanece convenientemente carregado. A Zona me espera. Você, mesmo sem saber, me espera, minha doce puta. Meus dez reais, o que de bom grado me desfiz pelo seu desfeito amor, também me espera. Só uma vez a encontrei, e milhares de vezes a matarei.

    Mas assim deixo-me estar.




  
22:11 p.m. (calor, pernilongos e o cheiro acre da espiral que me arde os olhos)


    "Minha única culpa é não ter tido combustível suficiente para que ela aquecesse bastante as mãos e os pés. Escolheu-me como uma sarça ardente e, afinal, eu não passava de um pequeno jarro de água pendurado no pescoço. Pobrezinha, porra."

{Maldito Cortazar! Apesar de ser eu um medíocre, como não pensei nessas mesmas palavras antes que as mesmas pudessem aflorarem-se em sua mente genial???}





22:23 p.m. (Não acreditem na hora ao final do texto. Eu odeio configurações de qualquer tipo)


    Olhando, hoje, ao meu redor, não diria que algo não mudara em menos de dez anos.
  
    Não havia essa musica que agora adentra meus ouvidos sensíveis, esse mesmo som que atiça puberdades alheias, cujas volutas sinfônicas tornam irresistíveis às moçoilas não "descerem até o chão". Os carros não berravam ensurdecedoramente suas acústicas pesadas, e se berravam, até nos acostumávamos com o "Só love" do Claudinho e Buchecha. Ou "O Homem na Estrada", do Racionais Mc's.
    
    Não víamos (ao menos não nessas ruas) tantos jovens ensandecidos á cata de moedas perdidas para saciarem-lhes as ânsias escusas. Não havia, à cinquenta metros da minha casa, um "centro ilícito de distribuição", onde, com dez pratas nos bolsos, os desafortunados conseguem, com relativa facilidade, viajarem além do que acreditam ser o sétimo céu. E não faziam questão de demonstrar à quem quissesse (ou não) ver suas alegres estadas em seus nirvanas particulares.

    Há dez anos era lançado "O Homem que Copiava", tido por mim como um dos melhores longas brasileiros; testemunhei muito chororô no cinema com a ida de Bilbo Bolseiro junto aos elfos no desfecho de Lord of the Rings: The Return of the King e com a morte de Trinity em Matrix Revolutions. Johnny Depp chegara ao auge com o Capt. Sparrow em Pirates of Caribbean e eu costumava troçar com o título de mais um sucesso da Pixar, "Procurando o Demo."

    A Amy Lee, do Evanescence, brotava em minha mente algumas fantasias inenarráveis, devo confessar (e eu tinha, sim, o Fallen, o 1º album) - Bring me to life foi, nesse ano, considerada a maior (?) canção do mundo. Metallica lançava St. Anger, e eu me sentia o ser humano mais poderoso do mundo enquanto andava pelas ruas ao som de Frantic, que me reboava aos ouvidos (agora isso costuma acontecer quando ouço "The Way of All Flesh", do Gojira). Sinceramente entristeci-me com o falecimento do Sabotage e do Johnny "Man of Black" Cash, ao mesmo tempo em que me entristeci, hoje não saberia dizer bem o porquê, com a posse do Lula para a presidência da repúburra.

    Com pesar no coração, admito que eram estes os áureos tempos dos saques nas bibliotecas. Nessa época, uma questão batucava-me na mente: seria crime o furto de cultura para amadurecimento próprio? Ainda acho que não; e eu tentava me convencer disto, à guisa de consolo pelo que estava prestes á fazer. A escola filtrava incomodamente o acesso dos estudantes às minguadas instalações das bibliotecas, então nada mais (in)correto à fazer que não fosse a self-revolution tão presente nas obras do Córtazar e nas musicas do Killswitch Engage. Sempre que podia, subtraía um livro ou dois das prateleiras abarrotadas e poeirentas próprio da falta de uso, e nessas subtrações, juntei uma pequena mas notável coleção em casa, por sua vez subtraído (de maneira lícita, veja bem) por um dos meus grandes amigos e parceiro de crimes culturais, que não se conformava com a minha mania de ler muitos exemplares até as suas devidas metades.

    Era o tempo em que minha familia não era agraciada com as comodidades da Tv à cabo, e, para mim, um computador era um ermo sonho. Celulares de telas azuis à rodo nas ruas, a novidade dos Dvd's em cada casa, Linkin Park era, para mim, o rock mais pesado que se podia ouvir e a quentura dum abraço duma garota qualquer era o desejo mais inalcançável que eu poderia ter.

    Ainda assim, eram bons tempos. Eu lembro que...

(O Funk acabou? Ao que me parece, todos se foram, decerto para paragens mais amenas, outras calçadas e outros ouvidos d'outros cidadãos trabalhadores que se baterão na cama, tentando e não conseguindo dormir. Agora o fardo é com eles, e acabou-se minha inspiração. Voltemos ao "South Park")

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Maias malditos!


    
     Quarta-Feira, tardinha




    O fim do mundo era certo, ao menos para ela.

    Explico-lhe, com um didatismo vacilante e uma perene paciência, alguns fatos lidos por mim semanas antes numa interessantíssima revista científica mensal e revisito a teoria tão rebatida, no mais científico dos ramos, de que o mundo testemunhará o seu derradeiro pôr-do-sol daqui á milhares de milênios, e que ela não precisava se preocupar em assistir, na privilegiada primeira fila das cadeiras cativas, algum eventual cataclismo imposto na provável expansão do sol ou na cabal extirpação da camada de ozônio - e apoiando-me na mais bíblica das explanações (apenas quando as minhas tão afundadas teorias atravessam-lhe os ouvidos sem a esperada resignação, veja bem), apelo dizendo-lhe que apenas Deus Todo-Poderoso, no alto de toda a sua onipotência e magnitude, guardava o segredo do fim de todo o sistema de coisas, para utilizar esse belo eufemismo muitas vezes exposto sobre os papeis-sedas do sagrado livro. Pois nada; nada no mundo a livrava da confirmação tamanha e dos sinais vários de que o mundo estava se aproximando de seu ultimo estertor.

    Os tais sinais eram muitos e instantaneamente fabricados em porções cavalares, para as minhas desventuras. O calor excessivo, por exemplo: sinal do arriamento do mundo, augúrios que mais eram, para ela, mazeladas sustentações para o tal do aquecimento global - os cientistas, para ela, estavam, enfim, cem por cento corretos, algo louco. A recente chacina no seio de alguma periferia em qualquer cidade brasileira, alardeadas pelos âncoras dos telejornais vespertinos antes das obrigatórias noveletas: selvageria sem par do homem contra o homem, lobo à cata de lobo, o fim do mundo. Um prédio que subitamente desaba, uma montanha de escombros onde antes erguia-se imponente construção, dezenas de bravos bombeiros, flanqueados por seus fidelíssimos cães farejadores, a insopitável esperança dos familiares quanto á sobrevivência de algum ente querido: o mundo que desaba, que vacila, que irrompe em montanhas de dor e lágrimas, o fim do mundo. Parrícidios, prostituição, pedofilia, homens que rebolam: derradeiros terrores, abominações execráveis, o fim do mundo, é claro. Não esquecerei de seus gritos (contidos, porém firmes) quando, espocada em letras garrafais, apertada entre um artigo qualquer e o recente placar do último clássico futebolístico, a notícia do nascimento dum bebê chinês espantosamente acomodado no ápice de seus sete quilos e duzentas gramas (de parto normal, note bem) - "Taí, está vendo! É o fim do mundo!".

   - Um bebê oriental que nasce de sete quilos num parto normal não é sinal de fim do mundo, minha querida, e sim de grande saúde do recém-nascido, misturados á uma provável e crônica obesidade durante sua adolescência e sustentados pelo consequente arrombamento dessa pobre mãe. Não vejo aí sinal algum do fim do mundo.

   - Onde, santo Deus (ela não costumava proferir sagradas exclamações e não proferira nesse momento, mas deixe estar), você enxerga normalidade nessa bizarrice? Onde uma mulher sobreviveria à tamanha provação?

   - Ah, então é pela mulher que, com a graça de Deus (não costumo proferir sagradas exclamações... etc), sobrevivera sem nenhuma sequela, que você acha que este mundo está perdido? Você me parece as beatas do Jorge Amado...

    O amuo era certo. Confesso que gostava de ouvir coisas tão absurdas, do tipo, "o mundo, decerto, acabará em fogo, porque ele já acabou em água, com o dilúvio.", desinformação essa que a deixava com aquele brilho sereno e plácido nos olhos que eu tão bem conhecia. Num discurso longo e encalistrado, disse-lhe que o mundo, se era esse o real problema de suas noites mal dormidas, já acabou por diversas vezes: o supracitado dilúvio, a última era do gelo, a extinção dos dinossauros, as guerras mundiais, e que os profetas maias que se fudessem. Não, eu não deveria ofender os Maias, esses sábios grandiosos que profetizaram, com séculos de antecedência, a data fatídica (nada adiantando a minha necessária arenga da renovação dos ciclos Maias, etécetera etécetera). Simplesmente, eu não deveria desrespeitar as almas ancestrais daqueles que idealizaram o futebol muito antes do fecundamento que resultaria, pouco tempo depois, no nascimento do Rei Pelé. Juro que foram essas as exatas palavras proferidas pela minha cética esposa. Eu suspirava, era a única coisa que poderia eu fazer ante essa situação.

    Lembrei-me de seus infundados medos enquanto lia o jornal durante o ócio macilento do meu serviço, e ri de maneira sincera ao evocar minha esposa, provavelmente a sonhar seus receios no seu ultimo sonho, ou com os olhos embaciados á perscrutar cada notícia sensacional das folhas matutinas. Li algo de Paulo Coelho no jornal em questão, e recordo que o mesmo ainda se mantém numa das cadeiras da ABL.

    Sinal do fim dos tempos.





     Textículo da amizade




    Amigo triste: é preciso distraí-lo.
    Amigo telefona: é preciso resignar-se.   
    Amigo apaixonado: é preciso aturá-lo.
    Amigo fala de hospital: bem, vamos.


   

Epifania



     De manhãzinha, mais cedo do que eu gostaria.
    



     

    Dizem que o desemprego é a forma velada encontrada pelo capitalismo para fazer com que os desocupados plantem mais flores. Por mais que eu tenha adentrado nas famigeradas estatísticas por livre vontade (após a ida da esposa), nenhum beija-flor encontrara ao menos um resquício de felicidade numa florzinha qualquer por mim cultivada. Muito pelo contrário: acomodei-me num ócio sofrido, bebi cerveja morna com os amigos, estive só e tão desapaixonado com as minhas lembranças, comprei flores artificiais pra minha mãe, lavei a louça todos os dias (para mim, uma distração necessária, além das escritas), respondi muitas mensagens de texto às três da madrugada (menos ainda dos que por mim foram enviados), passei horas intermináveis grudado, quase cirurgicamente, num joystick de vídeo-game, li muito e escrevi na mesma doentia proporção, admirei, ainda que por segundos, femininos lábios alheios encontrados ao acaso num vagão lotado ou do outro lado da avenida (lábios esses quase sempre cingidos por um violento toque escarlate) para depois esquecê-los ao cabo de outros segundos posteriores, reatei as presenças tão acolhedoras dos novos amigos e beijei as bochechas barbadas dos mesmos (sim, eu os beijo). Assisti os piores desenhos animados com a minha filha (sorvendo ao máximo sua presença pequena e sua dicção ainda irregular), assisti aos mais excitantes filmes (de quando em vez, claro) e compareci aos mais violentos shows das mais violentas bandas. Pedi dinheiro emprestado, ah como pedi dinheiro nesses dias estafantes: mãe, irmão, sogra, cunhado, amigos íntimos, os nem tão íntimos assim - e tais dividas financeiras, ainda que de boa vontade, pesa-me nos ombros curvos próprios dos desempregados e na sandice daqueles que admitem possuírem dívidas, sem contudo esforçarem-se por quitá-las. Beijei poucos lábios, mas senti muitos sabores; fui aquecido por poucos abraços, acarinhei poucas peles e perdi-me pouco por entre poucas retinas, mas garanto ter libado intensamente tais sensações como se fosse a última vez que pudesse eu fazer isso. Eu olhava sem ver, sentia sem sentir, mas sorria com todos os dentes... Agora, porém, o inverso é a minha sina - à mim foram ensinadas lições sobre olhar e ver, sentir quando realmente se está sentindo e, contudo, sorrir sem nunca mais ter sido possuído pela sincera vontade de tal ato, ainda que isso seja salutar e agradável (o sorriso). Re-olhei muitas fotografias, re-falei muitos palavrões, re-chorei por horas seguidas e re-senti a angústia que galopava-me nas veias, pra pouco depois ela ir embora e voltar, nas horas mortas da madrugada, entre um gole e outro de iogurte de morango (sim, strawberry yogurt... fui acometido pelo espírito abstêmio de alguém que procura reavaliar a sua vida, buscando o chão que fugira-lhe dos pés). Isto fora, basicamente, os elementos por mim vividos durante o meu desemprego.

    Dias atrás, porém, vi-me acordado ás oito da manhã, deitado no sofá depois de uma noite inteira sem dormir, posto à assistir "Mais Você" e iniciando um certo interesse sobre os esquemas práticos da confecção de um bolo formigueiro (rebuscamente chamado de "Mármore Gostoso"), produzido por um confeiteiro gordinho e de aparência oriental, enquanto o periquito (ou maritaca, ou papagaio) verde-amarelado, familiar da apresentadora (influências do RPG) esgrimia a sua voz irritantantemente insuportável (aquém da risada da apresentadora, risada essa que ela liberta praticamente à cada segundo), contando uma anedota qualquer sobre portugueses e pães franceses.

    Era a epifania que eu esperava, e senti-me num conto da Clarice. "Cara, preciso trabalhar". Entrevistas marcadas pra hoje, saio do meu mundo particular de agradável sedentarismo como quem cerra, de par em par, as pesadas cortinas do espetáculo. De volta ao salário, ás responsabilidades, aos cartões de ponto. Mas isso não quererá dizer que abrirei mão da mania de beijar as faces barbadas dos amigos frescos (frescos apenas, não efeminados), de olhar e ver, de sentir sentindo. Pretendo hoje entrar nas estatísticas, obrigado.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Segunda nota mental (uma lembrança)



    Madrugada, hora desconhecida.




    Num blog antigo e quase esquecido, cujo nome não mais recordo, publiquei uma nota que mais me interessou posteriormente do que no próprio momento em que a redigi, talvez pelo fato de que a personagem real que lá aparece (a única que muito se encantara ao ler a publicação) não mais se encontra comigo e/ou conosco, pelo motivo tão bem exposto na voz do Renato Russo: "É tão estranho / os bons morrem jovens..."
    Recentemente encontrei nos ermos do meu HD essa crônica mínima, e achei interessante aqui reproduzi-la. Lembranças boas de remotos momentos:


    
     29/11/2008
    
    "Irei com a Jé, no inicio da semana que vem, ao Cineplex, assistir "Lemon Tree", drama israelense digno do Oscar de melhor longa estrangeiro...

    Mas, antes do breu característico do cinema envolver-nos como um manto, convém desligar o celular. Não desejo mais olhares reprovadores sobre mim, após o silêncio da matinê ser cruelmente despedaçado com a chamada de mamãe: 'Já pegou o seu Décimo-Terceiro no banco, muleque?'"



Em tempo...



    PROCURA-SE:

    Mulher inteligente, divertida, moderadamente abusiva, sem a mania de ser boa na cama mas determinada a tentar.

    De preferência que goste de gatos (mas não é preciso gostar muito, que eu até sou alérgico) e de comida japonesa (vá, aqui já podem compensar o não gostarem muito de gatos).

    Que goste de viajar, de música, de ir a bailados e a óperas (excetuando a música, são coisas de que não gosto, mas estou apto à reavaliar meus conceitos). Que goste de mimo e de carinho e de palavras doces de vez em quando e de gestos de afeto de quando em vez.

    OFERECE-SE:

    Espécime do sexo masculino, emocionalmente atípico, divertido, inteligente e, segundo alguns especialistas da matéria, um pouco insano (mas não se assustem, que desde que ele tome os comprimidos de 24 em 24 horas, é uma pessoa mais ou menos normal).

    Dizem que o espécime em questão sabe fazer massagens, preparar um bom Nissin Lamen, tem alergia à chocolate e uma boa expectativa de vida; Desde que deixem o Racumin da casa em lugares estratégicos e longe do alcance do sujeito.

    Em tempo: Possui uma certa facilidade (e um fluxo abundante) de exprimir palavras açucaradas próximo aos tímpanos femininos. Perito no palavriado de açúcar.

    PEDE-SE:
 
    Mesmo que não seja e/ou não conheça esta mulher, por favor passe a mensagem. Alvíssaras a quem a encontrar ou fizer encontrar-me.
    Efeitos desse anúncio? Decididamente, à combinar...




    Esse inicio assemelha-se exatamente à minha primeira vez (com uma fêmea, vale lembrar): "Por onde começo?"

    Talvez algum dia eu tenha cacife suficiente para tornar-me designer e melhorar essa porra aqui. Mas por enquanto, deixe estar.

    Deixe-me ir sozinho ao inferno. Por que haveríamos de ir juntos?
 

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