"Se tem covinhas. já é automaticamente linda", penso comigo mesmo, entre um suspiro e outro, que foi o lapso necessário para o aparecimento da menina, que, leve e faceira, aparecera no lugar previamente combinado.
Desde já, confesso: as covinhas me fascinam.
Há rostos e rostos no mundo, mas são os rostos das mulheres que se assemelham à rosas em meio ao mar de capins silvestres, que são os rostos masculinos. Em todas elas há beleza, mesmo as que são chamadas feias pelos costumes limítrofes da sociedade - essas ultimas são apenas donas de um tipo diferente de beleza, feias e belas ao mesmo tempo, como os quadros de Mondrian, como as modelos magérrimas das grifes europeias, como um ornitorrinco. Não costumo filtrar as belezas que me aparecem no dia-a-dia, ainda que geralmente filtrem a minha (ou a falta de). Nem sempre a beleza está naquilo que vemos, mas naquilo que nossa alma costuma ver, mas lamento a clausura que há na filosofia que permeia o mundo que vivemos, um mundo onde a estética espanca a poesia, onde a beleza não é mais vista como algo relativo, e sim com a abundância das bundas seminuas, à balouçarem através dos programas televisivos. Uma unica coisa, apenas, burla a minha fútil teoria do relativismo da beleza
Se tem covinhas, já é linda.
As pessoas são estranhas - eu, inclusive. Você certamente pensará: são só covinhas, nada mais. Outros, mais realistas e menos amados, tomará esse aspecto como uma simples e sutil imperfeição num rosto humano, tais como as sardas. Mas a verdade vos digo: não me privo ante o pensamento fortuito de que há um quê de duvidosa e sensual inocência numa mulher com covinhas. Não num seio parcialmente à mostra, não numa bunda arrebitada, não numa pessoa que se orgulha em poder realizar um "quadrado de 8", o que quer que seja essa porra; aproveito a natureza egoísta e individual dessas mal-afamadas escritas e sussurro, apenas: covinhas.
Imagino-as primeiramente, e o resto é construído por si só: um rosto redondo, umas bochechas rosadas, olhos limpidamente castanhos, lábios perfeitos. Ao meu lado, ela sorrira pela primeira vez, e as covinhas, belas imperfeições, apareceram de chofre. Todos esses sutis aspectos saltaram-me aos olhos desde a primeira vez que a vi, até o ultimo minuto.
A cadeira de rodas foi só um mero detalhe.
Imagino-as primeiramente, e o resto é construído por si só: um rosto redondo, umas bochechas rosadas, olhos limpidamente castanhos, lábios perfeitos. Ao meu lado, ela sorrira pela primeira vez, e as covinhas, belas imperfeições, apareceram de chofre. Todos esses sutis aspectos saltaram-me aos olhos desde a primeira vez que a vi, até o ultimo minuto.
A cadeira de rodas foi só um mero detalhe.


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