Porque é assim mesmo,
amor dói, é lindo e fodido e difícil e maravilhoso e extasiante e cansativo, exaustivo, agônico e longe de feliz para sempre. Muitas vezes será feliz mesmo e seremos iluminados, luzidios, morrendo de tesão e candura, nadando em luxúria infinita, indivisíveis. Uma hora o indivisível se divide para que um e um possam ser dois e um.
Sei que chegará uma hora em que tudo que você vai desejar é ficar só, quieta, no silêncio, sem ouvir nada além das vozes cruéis e gordurosas na sua cabeça. Não é hora de ir embora; é hora de calar e olhar para dentro. Sempre vou entender porque também preciso da solidão, preciso muito. Ninguém vive o tempo todo em função do amor senão morre, morre sufocado, morre seco e sem criar, morre obcecado e afogado em frustração.
Amor comigo, meu Amor, nunca vai ser plácido. Os altos serão os mais altos que você jamais imaginou, os baixos eu vou controlar e nunca vou te afundar junto. Não sou água parada, sempre fui turbilhão, um turbilhão incontrolável de coisas desordenadas e esmagadoras e lindas, destrutivas e fecundas, irresistíveis e desumanas, posso ser devotado e incompetente, doce e amargo, categórico e insuportável, carente e fútil, apático e radiante, cada dia um pouco de uma coisa nova e sempre incandescente.
Esse sou eu.
Minha alma e tudo que sair de mim será assim e sua vida nunca será entediante. Às vezes você vai ter vontade de ir embora. Às vezes eu também. Não é fácil. O que não pode é se acovardar e fugir, isso não pode, não pode deixar o negrume vencer o que precisa ser argênteo, não adianta ir embora para descobrir que quer voltar de novo e de novo porque um dia eu não vou mais estar aqui.
Não quero que volte por ser viciada em mim, quero que você fique porque quer. Um dia minhas energias terão se esvaído e será o dia do fim.
O Fim.
Se esse dia chegar – e não quero que chegue, não quero, não quero - vai ser mais uma das minhas mortes. mas ainda tenho algumas vidas para gastar, algumas saúdes pra flagelar. Não vou acabar. Não acabo. Provavelmente farei de novo e de novo depois de lidar com o fracasso, depois de chorar muito e não acreditar em nada, bem como faço atualmente.
Me regenero e volto. Eu não vou acabar, não enquanto acreditar em coragem, certeza e amor sólido. O resto não me derruba. Se derrubar eu já aprendi a cair em pé e voltar a respirar.
Mas eu prometo, com as mãos ainda pensas, palmilhando por esse caminho que está levando à ti (apresentar-lhe-ei Drummond, minha linda) que não terei por ti a mesma benquerença que tive pra'quela por quem esmoreci morbidamente pela repentina ausência; os amores, ainda que sólidos, ainda que não sejam secretos nem eternos, são diferentes um do outro. À ela dei o melhor e o pior de mim, amando-a como um louco pelos dias que se passaram;
à você darei o melhor e o pior de mim, amando-te com um louco pelos dias que se seguirão.
E o resto, todo ele, não importa. Lembremos de sermos felizes. Ainda podemos achar a felicidade, ainda podemos amar. Somaremos à este mundo àqueles tipos de casais que, quando se olham, rola a mágica de quando uma chocólatra olha uma barra de chocolate branco. Seremos necessários um ao outro. E essas nossas necessidades se baseará em noites mal dormidas com mensagens simplórias pelas madrugadas, tudo isto regado à sorrisos bobos e rascunhos de cartas mal escritas.
Vou te esperar todos os dias, independente de todas as tuas direções, após a epifania de que em todos esses anos só existiu você. Desfilaremos felicidade pelas ruas. O dia e o esquecimento não vão cair, não voltarei à vida de pingue-pongue, aqui-e-lá com a única certeza da distância da sanidade. Não atenderei, um dia desses, o telefone e me entregarei finalmente à presença da solidão, chutando a quentura da humanidade para a sarjeta mais próxima, para nunca mais voltar.
Não com você.


2 comentários:
Perfeito. E nada mais.
Você é meu ídolo ! ;D
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