quinta-feira, 7 de março de 2013

O Quadrângulo (Parte 3 de 4)





     Armando




    Armando não tinha família. Não tinha amigos. Não tinha casa, sequer um cão. Não tinha ninguém. Só o que ele possuía, de fato, eram lembranças - muitas lembranças, que ele costumava colocar num prato da balança, estando do outro lado, no outro prato, todos os seus arrependimentos de velho: os arrependimentos sempre se mostravam mais densos que as inúteis lembranças, sobrepujando-as no peso. Com as lembranças mascaradas por arrependimentos pesando-lhes nas costas ligeiramente curvas (lumbago em estado inicial), Armando vivia à custa da boa vontade que a vida lhe outorgara, boa vontade um tanto quanto duvidosa: viver muito e, em contrapartida, mastigar por cada minuto as dores do que se poderia ter feito e não se fez. A indiferença que permeara sua vida de relaxadas indolências, quando ainda jovem, apenas agora mostrava as suas garras, rasgando-lhe cruelmente a alma na calada da noite. O manto do arrependimento, ainda que acolhedor, ainda que lhe coubesse bem, pesava-lhe sobre o corpo. Ser velho era isso - lembranças antigas, arrependimentos antigos, tesão antigo e recolhido dos que jamais se casaram.

    Possa ser, talvez, que esse tesão fosse aquela imaginária estrutura que se erguia entre um e outro prato da balança, que os sustentava, Armando jamais soubera o nome daquilo. Se ele tivesse nascido, à sessenta e dois anos atrás, sobre a luz do signo de libra, possa ser que ele soubesse a denominação disso à que chamam "fiel da balança". Mas ele não seria assim, tão instruído, e ademais, ele é de Capricórnio. Mas nada disso importava, apenas o seu tesão de velho que, sendo o fiel da balança, intermediava o embate entre as lembranças e os arrependimentos. E tesão ele sentia nesse exato momento, momento esse em que divisara a silhueta minúscula da moça sozinha no escritório do terceiro andar, com ar desolado e atenção compenetrada na tela do computador. A gostosura dela saltava aos olhos, mesmo além da pequena tela de monitoramento CFTV que havia na recepção, que Armando fitava sem desviar os olhos de verruma.

    Ele estivera assistindo-a fielmente pelas câmeras nos últimos quarenta minutos, mas agora, velho e fraco, não lhe era mais possível refrear seus instintos obsoletos e frequentes. Estava sozinho àquela hora da noite, excetuando a estagiária gostosa (cujo nome ele esquecera) e o jovem Dr. Rodrigo, que também ficara pra fazer serão; mas ambos situavam-se agora nos andares superiores, mergulhados em suas respectivas funções, e de lá não sairiam tão cedo. Como trabalhava sozinho em seu posto, à portas fechadas, seria fácil fazer isso, como tantas outras vezes já fizera, mesmo nos horários comerciais, onde o fluxo de pessoas é imenso. É nestas horas que se faz necessária certa dose de competente habilidade, a discrição é imprescindível. Mas aqui, agora, não precisava ser discreto, até porque fazer essas coisas na maciota, sem ninguém perceber, era chato e cansativo - devido ao esforço de se fazer passar por um porteiro justo e sereno, um velhinho simpático e sorridente, enquanto por debaixo da bancada de mármore, longe dos olhos da sociedade, se permitia fazer coisas sujas  e impensáveis, o pau amolecia rápido, muito antes da gozada, o que era extremamente frustrante, ainda mais para Armando, que não era mais um belo exemplo de virilidade nessa idade do caralho! Não, não precisa ser discreto, é rapidinho,ninguém saberá, além de Deus, é claro - mas depois eu me acerto com ele, como tantas outras vezes. Olhando pro monitor da câmera do escritório, Armando percebe que a mocinha quedara-se pensativa, já um pouco afastada do computador, sua parte inferior do corpo oculto atrás de uma maciça pilha de papéis. Mesmo além da pequena tela sem muita definição do monitor de CFTV, Armando divisa-lhe os desenhos dos seios já fartos pra idade dela, que deveria ser na base dos vinte, vinte e poucos. Qual era mesmo o nome dessa diaba? Bom, não importava: nos pensamentos lascivos do velho Armando, porteiro noturno do edifício Santa Rosa, sede da próspera firma de advocacia Camargo e Sandrinni Costa, fumante inveterado, solitário ocupante de um quarto-sala alugado nas imediações do Jabaquara, assíduo frequentador dos mais sortidos bordéis da zona sul, um velho senhor torturado pelas lembranças e pelos arrependimentos, nos seus pensamentos de punheteiro não importa que nomes elas tinham: em todas mergulhava-lhes adentro, chamando-as de Maria, Josefa, Francisca, Madre Teresa - passara por suas mãos calejadas todas as funcionárias jovens daquela firma, sua senhoria de quarenta e oito anos, algumas das faxineiras, as estudantes que dividiam o mesmo vagão de trem (as mesmas que, educadamente, cediam-lhe o assento reservado aos idosos), muitas transeuntes que lhe cruzavam o caminho, e a filha e sua vizinha, um lírio de menina de quatorze anos. De que lhe importava seus nomes? Quantas pelos seus pensamentos e sonhos e desejos de velho safado já passaram? Já era idoso, acabado pelas lembranças e arrependimentos, era sozinho no mundo: não era justo que lhe privassem desse passatempo, vergonhoso e inofensivo, á que se entregava dezenove vezes por dia, e que continuaria à se entregar enquanto essa nesga de virilidade não lhe for também privada para sempre, tornando-o assim inútil, um peso morto.

    Abrira uma gaveta abaixo da bancada de mármore da recepção e de lá retirara alguns guardanapos. Preparar-se-ia pra baixar a braguilha da calça quando algo lhe chamara a atenção: a moça levantou-se pra atender ao telefone próximo a sua mesa. Armando umedece os lábios finos: jé pensou essa menina nuazinha numa cama, minha cama, à sorrir de maneira sacana, me chamando como se chamasse um filhotinho de cachorro? Mata o velho! Eram apenas pensamentos, apenas sonhos não contidos, que mais serviam pra adoçar a sensação do orgasmo auto-induzido. Ela colocara o fone no gancho, voltara à sua mesa, abrira a bolsa e retirou algo. Armando firmou mais as vistas por detrás dos óculos: era um batom e um espelho de bolso. Ainda em pé, ela tingia os lábios com o batom (definir a cor deste, através daquela horrível monitor, era-lhe impossível, mesmo que quisesse), com o espelhinho erguido à altura da face bonita. Talvez estivesse se embonecando pra finalmente ir-se embora, o que seria uma pena - a bronha seria mais doce com ela ali, atrás daquela telinha de CFTV, sempre sob as vistas do velho. Armando, porém, lembrou que sempre antes de ir embora (era sempre uma das últimas à sair), ela desperdiçava uns vinte minutos batendo papo com ele, enquanto esperava o namorado que sempre ia buscá-la - um borra-botas almofadinha, com cara de bebê. Falavam sobre as coisas mais triviais possíveis - clima, trânsito, noticias das primeiras páginas dos jornais, uns planos pro fim de semana. Era gente-fina a menina, sorridente, amável e de boa-família, logo se via - e gostosa. O que Armando não daria pra enovelar com as suas mãos murchas, singradas de horríveis veias azuis, ao menos um daqueles peitos macios e rijos! Sua mão não seria o suficiente para englobá-los. Mata o velho! Ele contava que ela surgiria dali à pouco, através dos elevadores, e sorridente iniciaria o bate-papo com o seu costumeiro Boa noite, Seu Armando! Como vai o senhor? Melhor então frear os seus solitários planos, ao menos por ora.

    Quinze minutos, porém, e nada da mocinha. Ela já saíra do escritório, e outro monitor (das câmeras do corredor que levava aos elevadores) indicou que ela tomara o rumo de onde ficava o pessoal da administração, bem como as salas dos filhos do doutor Adalberto, o manda-chuva, onde agora deveria estar trabalhando o doutor Rodrigo, o mais novo dos cinco filhos do velho advogado. Era no mínimo estranho; não haveria mais ninguém por esses lados, exceto o doutor Rodrigo...

   - Olha só, que cachorra! - exclamara Armando, tomando ciência da situação.

    Doutor Rodrigo Sandrinni Costa era famoso pelas conquistas, por ser um desbragado esbanjador de grana, pela boa-vida que levava - e por passar nos peitos, dizia-se, a maioria das advogadas da firma... Quem dirá de uma estagiária? Filho da puta sortudo - além de nascer em berço de ouro, ser jovem e boa-pinta, ela ainda não economizava o pinto, comendo quantas quisesse e bem entendesse, não dando chances pro arrependimento pesar-lhe anos depois nas costas, a sina de Armando. Será que a safadeza estaria rolando lá agora, na sala do advogado safado? Decidiu-se: não poderia perder isso por nada no mundo.

    Tomando do nextel, ele deixara a recepção e seguira na direção dos elevadores, no lado norte do grande hall de entrada. Mas todos os três, estranhamente, estavam inoperantes. Estranho, chegou à pensar, e normalmente os corretos procedimentos obrigá-lo-ia à retornar à recepção e discar os números dos técnicos que cuidavam da manutenção dos elevadores, mas só a ideia de realizar suas funções de rotina enquanto o paraíso se desenrolava no terceiro andar lhe dava comichões. Sendo assim, prometeu à si mesmo que cuidaria disso quando retornasse - se ausentaria por uns vinte minutos, não menos que isso, e se alguém questionasse no dia seguinte, à guisa de represálias, alegaria que percebeu, pelas câmeras de CFTV, algo suspeito no último andar e correra para lá verificar, constatando que não passava de um alarme falso. Tudo muito simples e infalível; Armando seguira pelas escadas.

    Reinava um silêncio de sepulcro no vasto terceiro andar. Todas as portas fechadas, as máquinas de expresso e capuccinos solitárias em seus cantos, as mesas dos escritórios como se fossem ilhas desoladas no oceano - era impressionante imaginar que ali, durante o dia, era um inferno de sons e murmúrios e pessoas e telefones tocando. Lentamente, Armando caminhara na direção das salas da administração, onde sabia que a estagiária tinha se dirigido, e onde tinha certeza que agora, nesse exato momento, estava dando pra um dos chefes, o herdeiro da casa. Sentira-se ridículo por estar ali, sozinho, excitado como um touro velho, andando sorrateiro pelo imenso corredor atapetado, procurando um motivo palpável pra uma masturbação; mas era um incômodo tão prazeroso pra ele, tão perigosamente real e lúdico, que Armando não se importava com o arrependimento que certamente chegaria tão logo ele se saciasse, horas depois, na solidão da recepção. Não lhe passava pela cabeça glabra de idoso, lógico, que tivesse alguma chance de ser convidado à integrar a festa particular que estava rolando naquela sala chique, agora há uns quinze metros de onde estava, algo impensável nas suas condições senis - cairia morto, estatelado e ereto no chão, antes mesmo de se pôr na menina.

    A porta larga e elegante de mogno do escritório do doutor Rodrigo estava encostada. Canalhas, não se deram ao trabalho nem de ao menos cerrar a porta, gostam de fazer à vista dos outros, galoparem no perigo do escândalo, saciarem-se com a antiética. Pé ante pé, já massageando os testículos tão murchos quando uma estiolada castanha, Armando se aproxima, meio curvado e alerta à qualquer som, por detrás da porta pouco entreaberta - o ar gelado do ar-condicionado libertava-se para além da fresta da porta. Estranho, concluiu Armando: não havia o mínimo som que denunciasse o que deveria estar ocorrendo para além daquela porta. O silêncio operava no ambiente de forma cabal. Numa firme resolução, ele resolveu fazer o impensável: espiar. E espichando rapidamente a cabeça pequena de cabelos prateados pela fresta da porta, no inicio não entendeu o que viu: a estagiária estava sentada numa poltrona de couro negro, de costas para ele e frente à grande janela panorâmica, com uma garrafa na mão cujo interior balouçava um líquido castanho, talvez uísque. De quando em vez era bebericava diretamente no gargalo da garrafa, em pequenos goles, e á cada sorvida dava pra observar, mesmo estando ela de perfil em relação ao velho Armando, sua careta de repulsa ao teor etílico do destilado. Mas bebia intermitentemente, a garrada quadrada (em dado momento Armando leu-lhe o rótulo: Jack Daniel's) indo em direção à boca da jovem, retornando à posição baixa para em seguida, novamente, ir em direção à boca da jovem, num intervalo de dois em dois minutos. Suas mãos estavam visivelmente trêmulas, e ela respirava com certa retumbância. Inteiramente vestida, segurava, na mão esquerda (a mão livre, ligeiramente para fora dos braços da poltrona de couro) um pedaço de papel com umas coisas escritas, pena Armando não poder ter lido. Ato reflexo e natural, o seu pau emurcheceu-se na hora. Quanto ao doutor Rodrigo, que se acreditava estaria trepando com a jovem... nem sinal.

    Então, de súbito, o som de alerta do seu nextel começou á tocar. Ainda atrás da porta, como um espião covarde, Armando desesperou-se, e em resposta ao som estridente, a estagiária, viu-se, se alarmou e procurou em redor a origem da estranha celeuma. Aproveitando a distração da jovem assustada, Armando esgueirou-se rapidamente em direção ao corredor, e dominado pelo receio de que a estagiária sairia da sala e o flagraria em meio à uma desastrada e ridícula evasão, o velho escapulira pela primeira porta destrancada que encontrara pela frente (o depósito do almoxarifado), sempre com o nextel, que ainda chamava, de encontro ao seu corpo, numa forma primitiva de abafar-lhe o som que se tornava ensurdecedor naquele silêncio sepulcral.

   - Puta que pariu! - exclamou baixinho, enquanto fechava a porta do depósito do almoxarifado. O aposento era pequeno e escuro, atulhado de utensílios de limpeza, e um denso odor de alvejante à base de cloro flutuava rente às suas narinas. Ainda atrapalhado, verificou o autor do alerta do nextel, que ainda apitava: doutor Rodrigo. Armando pressiona o botão da comunicação.

   - Pois não, doutor?
   - Seu Armando? - a indagação, por demais óbvia, parecera-lhe tão grave e urgente quanto um rugido de leão faminto - Meu Deus do Céu, homem! O que diabos está fazendo?

    À mistura de Deus e diabo numa mesmo frase de censura, Armando alarmou-se ao imaginar a possível bronca que certamente tomaria.

   - Estava realizando a minha ronda de rotina, doutor, então vi o rádio tocando e...
  - Certo, certo - atalhou o doutor Rodrigo, sua voz alteando-se num periclitante tom grave, ainda mais grave devido à estática do aparelho de comunicação - Eu estava descendo pelo elevador em direção ao segundo andar, mas não sei que porra aconteceu, que fiquei preso; o elevador parou no meio do caminho e as portas não querem se abrir.
   - Os elevadores foram vistoriados semana passada, senhor...
  - E o que isso me importa? Faz alguma coisa, chame algum técnico, alguém, sei lá, porra! Eu quero sair daqui! - berrou o advogado, aparentemente já não mais se importando sobre o que pensaria o velho porteiro diante da oculta revelação de que talvez o jovem advogado pudesse sofrer de claustrofobia - Ouviu, Armando? Faça isso, pelo amor de Deus! - completou.
   - Não se preocupe, doutor. Farei isso já. Ligarei pros técnicos de manutenção. Tenha calma, tudo ficará bem - tentando parecer ponderado, o velho Armando se atrapalhava ainda mais: o cara estava preso num elevador quebrado, não era aquele um caso preocupante, de vida ou morte, portanto inútil tentar impingir-lhe certas esperanças. Ele que esperasse, o almofadinha.

    Depois de verificar do lado de fora do depósito e se certificar que o corredor continuava deserto (nem sinal da estagiária beberrona), Armando dirigiu-se rápido à recepção, no térreo. Estava frustrado, cansado e desgostoso, e de tanto esgueirar-se curvado ao tentar entrever uma safadeza alheia que se pensava estivesse rolando, revelando-se um completo fiasco logo depois, sofria agora de imensa dor nas costas, o maldito lumbago. Mas enquanto retornava ao seu posto, refletia: o que terá acontecido? A estagiária bebendo sozinha e trêmula na sala do doutor Rodrigo, o próprio doutor Rodrigo preso no elevador quebrado... A palpável voluta que paira e pulsa sobre a atmosfera, tão característica, que revelava um possível mistério por  baixo dos panos da situação, resvalava em todo o ambiente: Seu Armando, um velho amargurado cheio de arrependimentos, estava apreensivo, não saberia dizer bem o porque.

    O Pereira, chefe da manutenção que prestava serviços ao edifício, estava incomunicável - participava de um velório, possivelmente d'algum parente. Sem se atrever à revelar o insucesso da presente situação á um enérgico doutor Rodrigo, Armando cogitara colocar em prática o plano B: contratar os serviços rápidos e urgentes de um dos muitos faz-tudo que realizavam regulares bicos no edifício - serviços de qualidade duvidosa, mas que agora seria mais que necessário, seu emprego dependendo unicamente disso. Na agenda telefônica, se deparara com dois nomes, logo na primeira página: Antônio e Agenor. Depois de uma rápida escolha, o segundo nome fora agraciado. Talvez se Armando soubesse o que estaria prestes á acontecer dali à uma hora (mesmo que desconhecesse a essência total do que ocorreu), era provável que escolhesse o primeiro nome, sem sombra de dúvidas. Mas simples mortais, falhos seres humanos, de nada sabem o que seria necessário que soubessem, antes de saberem - e chegado o momento, a impotência os domina, convencendo-lhes de sua mínima presença no universo e da pequena dose do arrependimento que se integra ao montante já acumulado na balança: o arrependimento daquilo que poderia ter sido feito e não se fez. Como se conspirasse à favor do velho e solitário porteiro, o universo concedera-lhe algo que poderia ter sido chamado de segunda chance: o tal Agenor não atendera o celular na primeira tentativa. Era correto imaginar que outra pessoa, frustrada por mais esse insucesso, tentaria contatar o outro nome da lista - Antônio - mas se lhe fosse indagado porque razão não o fizera (assim como realmente ele seria indagado, muitas horas depois, por muitas pessoas, rudes e rígidas em sua maioria), Armando, sinceramente, não saberia responder. E jamais soubera, mesmo anos depois, mesmo antes do laço no lençol encardido, antes do último estertor, antes de pender do cano do chuveiro da penitenciária.

    Na segunda tentativa, Agenor, brandindo do outro lado da linha uma voz rouca que praticamente lhe gritava, á plenos pulmões, a denúncia de que estava bêbado, atendera.    
 
  - Alô? Seu Agenor? - uma musica alta de fundo, uma daquelas musicas de corno tão em voga nos botecos, dificultava a comunicação.
   - Fala. 

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