sábado, 24 de novembro de 2012

As 3 faces da desatitude






Sábado, uma e pouca da tarde.


1-
Pior do que não encontrar as palavras é ter de medi-las.
Pior do que ter de medi-las é arriscar errá-las.
Pior do que errá-las é ter de engoli-las, e ficar com esse bolo na boca do estômago comprimindo o tanto que se desejou dizer.

Ajuda-me a libertá-las e eu pronunciarei teu nome como quem canta uma canção.



2-
Faço tudo que não quero. E o que quero fazer não faço... Me adio... E adio.

3-
É certo preferir o adiamento à atitude? Normal supor ser preferível uma inércia à decisão crua e seca? Até aqui reside a relatividade: se a indecisão é uma espécie de decisão decidida para adiar a decisão errada, essa desatitude, em contrapartida, pode ser o único e último segundo do suicida antes do vertiginoso salto, em que a sua vida poderia ser refeita e reestudada, reavaliada e resumida, e há nessa derradeira inspiração a coragem humilhada em que se decide o adiamento do passo fatal ou a fatalidade do passo não-adiado. Prefiro pensar desse jeito, adotar esse teorema: assim não me sinto tão culpado em não fazer o que poderia ter feito, quando era tempo.

A indecisão salva um suicida.

1 comentários:

Unknown disse...

Fantástico, copiei com créditos.

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